HOSPITAL DE ALMAS – TERNURA, EGOÍSMO E VAIDADE

E aí, pessoal, tudo bem? Resolvi escrever esse tema para a qual dei o nome de “Hospital de almas”, mas terei que escrevê-lo em dois textos por motivo de: vai ficar enorme se for um só. Nessa série vamos tratar de assuntos que nos deixaram doentes ao longo do tempo, que fizeram com que nós parássemos de nos importar com nossa alma e passássemos a nos importar com as coisas que temos nesse mundo; e também paramos de nos importar como nossas atitudes e nossa doença afeta o nosso irmão e a sociedade em que vivemos. Além disso vamos falar de como o Médico dos médicos ensina a lidar com cada um desses problemas. Então vamos lá!

“Quem se purificar de todos esses erros de que tenho falado será usado para fins especiais porque é dedicado e útil ao seu Mestre e está pronto para fazer tudo o que é bom!” 2 Tim. 2:21 (NTLH)

Nesse primeiro texto vamos fazer uma triagem. Sabe quando você chega no hospital queixando-se de um problema, que eles te fazem passar por uma salinha antes para medir sua temperatura, medir sua pressão e ver quais são os sintomas que você está apresentando? Esse é o nosso momento!

Conseguimos verificar que hoje estamos com uma pressão baixa de: ternura. Essa é uma característica que foi caindo em desuso, como se fosse uma palavra do dicionário que ficou obsoleta. E o mais engraçado é que quando uma pessoa é gentil conosco, quando nos trata de maneira terna e bondosa, ficamos assustados. Isso acontece porque se tornou raro encontrar gente disposta a tratar bem os outros.

Estamos com uma pressão baixa de ternura e isso significa que nós deixamos de nos importar com o outro e nos colocamos à frente. Para um cristão isso é um ponto grave na saúde de sua alma; significa que a nossa razão e nossa consciência humana está sendo enaltecida em detrimento daquilo que nós pregamos e dizemos crer, do que é divino, que é o amor com o nosso próximo.

“Ao servo do Senhor não convém brigar, mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. ” 2 Tim. 2:24 (NVI)

Como em um corpo doente, a falta de ternura desencadeia duas consequências e uma está firmemente ligada à outra. A primeira delas, é que estamos com febre por causa do egoísmo. Quando eu digo que a minha vida e os meus interesses e vontades estão acima da vida do meu irmão e dos interesses da comunidade em que vivo, estou sendo egoísta e, grande parte das vezes, é isso que acontece mesmo. Nesse mundo doente com rotina, trabalho e estudos, nós nos colocamos na frente e esquecemos do outro. O meu está vindo antes do nosso e o Corpo de Cristo tem manifestado isso.

E a segunda consequência que temos disso, é a vaidade. Fomos levados à ortopedia, pois quebramos nosso braço quando tropeçamos no egoísmo e perdemos nossa capacidade de abraçar um irmão e andar lado a lado com ele. Nos tornamos egoísta e vaidosos, não damos o braço a torcer, não cedemos e com isso corroemos as relações de amor e ternura que deveríamos ter com o nosso próximo. A vaidade nos deixa individualistas, e faz com que cada vez menos a ternura apareça nas nossas relações.

Mas Jesus, o Médico dos médicos, que cura nossas almas, tem uma medida profilática para essas coisas. Para se tratar desses males, você pode tomar um chá de gentileza, uma colher de sopa de agradecimento e um copo de humildade. Entender o lado do seu irmão, se compadecer da dor do outro e se ajuntar à alegria dele. Você pode ouvir mais o seu próximo e tratá-lo com delicadeza. Essas coisas vão te ajudar a ter relações melhores e se tornar mais social, com um coração pronto para acolher e uma alma plena em Cristo.

“Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.” 2 Tim. 3:16

Espero que ajude vocês, e semana que vem tem a segunda parte: HOSPITAL DE ALMAS – PONTE DE AMOR, MIOPIA E SURDEZ

Fiquem na paz,
Bruna

Amor sem joguinhos



"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará." 
I Coríntios 13:4-8

        Você provavelmente já conhece essa passagem. Seja de ter lido na própria Bíblia, de ter ouvido na letra de dezenas de músicas, ou de ter visto a famosa citação do apóstolo Paulo em algum filme. A descrição que ele faz do amor na carta aos coríntios é realmente linda, digna de ser entoada como a caracterização mais pura desse sentimento tão nobre. E eu acho lindo pensar em como Deus, tudo o que Ele fez e tudo o que Ele é, se resume em amor.
"Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." I João 4:8
        Mas a revelação que acho mais surpreendente na definição que a Bíblia traz, é o fato de que ela não se parece em nada com o que nós conhecemos ou chamamos de amor hoje em dia. Especialmente na área dos relacionamentos a dois (namoro, casamento), é difícil reconhecer aqueles nos quais há mesmo paciência, bondade, humildade, perseverança... E principalmente, é difícil encontrar um amor que realmente não busque seus próprios interesses, mas coloque o outro em primeiro lugar.

        Mas esse amor existe.

       Um dia desses estava ouvindo uma playlist do Youtube no modo aleatório e conheci uma nova música. Pieces, da Bethel Music. A melodia é linda, mas você não tem ideia de como a letra me tocou, e imediatamente me fez pensar no texto de I Coríntios 13. A tradução da canção diz:

"Sem reservas, sem restrições. Seu amor é selvagem, seu amor é selvagem por mim. 
Ele não é tímido, não tem vergonha. Seu amor tem orgulho de ser visto comigo.
Você não dá o seu coração em pedaços. Você não se esconde para nos provocar.
(...)
Seu amor não é fraturado, não é uma mente perturbada. Não é ansioso, não é do tipo inquieto. 
Seu amor não é passivo, nunca é desengajado. 
É sempre presente, está em cada palavra que dizemos.
O Amor cumpre as suas promessas, ele mantém a sua palavra. 
Ele honra o que é sagrado, porque seus votos são bons. 
Seu amor não é quebrado, não é inseguro. Seu amor não é egoísta. 
Seu amor é puro."

        Os relacionamentos que estamos acostumados a ver (e a viver) hoje em dia são completamente viciados. Muitas vezes, tóxicos, destrutivos, abusivos. Mas mesmo que não cheguem a este nível, são comumente relacionamentos unilaterais. Como assim? Bom, você já deve estar cansado de saber o que é o tal do "joguinho". Esse é um nome que a nossa geração inventou para o padrão lamentável de relacionamento onde uma das partes (ou as duas) está sempre tentando sair por cima na situação, parecer mais forte. Os joguinhos são cheios de regras. "Você precisa demorar para responder as mensagens". "Não demonstre muito interesse, e nunca corra atrás. Você precisa esnobar pra que ele caia aos seus pés". 

        Nossa geração é ensinada a pensar que sentimentos e sensibilidade são sinônimo de fraqueza. "Homem não chora". "Mulher tem que ser difícil". "Quem perdoa traição é 'trouxa'". E assim, se cria um ciclo infindável de relacionamentos de plástico, egocêntricos, onde o que importa é ser maior do que o outro e ter seus interesses satisfeitos 100% do tempo. Se aquele lá não deu conta do recado, a fila tem que andar, e assim a gente vai massificando sentimentos e ainda tem a capacidade de chamar isso de "amor" pelo tempo que dura, até que se torne um rótulo barato e descartável.

      A maioria das pessoas não se dá conta disso, mas todos esses vícios dos "joguinhos" e relacionamentos descartáveis só revelam uma geração verdadeiramente doente. Por trás da tentativa incansável de parecer forte e jamais transparecer carência ou vulnerabilidade, há uma insegurança tremenda. Por trás da armadura, as pessoas têm medo de entregar seu coração, e vão entregando apenas os pedaços.

         Mas não o amor de Deus. Não o amor verdadeiro. Não o Amor que não é algo, mas é Alguém.

       Por isso acho a letra dessa música brilhante. A começar pelo título, que de início não faz o menor sentido para quem olha. 

        Eu não faço ideia do que passou pela cabeça da compositora ao escrever essa letra. Mas não consigo evitar pensar que ela percebeu como o amor tem sido banalizado. E é completamente frustrante estar em um relacionamento em que a outra parte só entrega alguns pedaços. Talvez você já tenha estado nessa situação. Estar com alguém (seja num relacionamento amoroso ou não) que tem vergonha de ser visto com você. Que não tem certeza do que sente, que oscila entre estar presente ou distante, e você tem a sensação de que uma parte está faltando. Talvez você esteja cansado dessa história de joguinhos.

        Ou talvez, você seja a pessoa que não consegue amar de verdade porque já teve seu coração remendado inúmeras vezes, e tudo o que você tem a oferecer a Deus e às pessoas é aquele "amor quebrado", como a música diz. Um amor inseguro, cheio de cicatrizes e memórias de pessoas que já te decepcionaram. Um amor em pedaços.

        Mas saiba: o amor de Deus não tem isso. Não tem joguinhos. É 100% confiável, completamente entregue, completamente interessado em te ter e te alcançar. E quando ele te alcançar, ele pode não só preencher os espaços vazios, mas restaurar sua capacidade de amar. Porque Ele é o amor. Estamos falando do único ser do Universo que pensa naqueles que ama antes de pensar em si mesmo.

        Estamos falando de alguém que abriu mão da sua própria vida por amor.

     E quando você conhecer esse Amor perfeito, finalmente vai entender que ele é mais do que suficiente.

Na graça e na paz do Senhor Jesus,
Vitória

O Pastor dá ordem às ovelhas



Mas nenhum animal deve ser comido, a não ser que tenha o casco dividido e que rumine. Portanto, não comam camelos, lebres ou coelhos selvagens, pois ruminam, mas não têm o casco dividido. Para vocês esses animais são impuros. (Deuteronômio 14:7)

 O livro estudado durante essa semana, Deuteronômio, traz uma compilação dos discursos realizados por Moisés durante a travessia do povo hebreu pelo deserto. Ao longo do livro ele relembra diversos marcos da história do povo, como os 10 mandamentos, a abertura do Mar Vermelho e todas as vezes que o povo pecou e o Senhor perdoou. Aqui, especificamente, ele reforça as regras quanto aos animais puros e impuros, quais animais eram permitidos e proibidos para o consumo. Neste versículo, ao final, lemos "para vocês esses animais são impuros".

"Para vocês" significa quem?

Como um pastor de ovelhas, Deus, neste ponto, dirige-se ao seu rebanho, ao seu povo. Ele não está falando com outros povos, Ele não está falando com adoradores de outros deuses. Ele está falando com o povo que o tem como referência, como Pai, como guia e como Deus. Assim, todas as regras no capítulo ditas, são proferidas diretamente ao seu povo.

E aqui eu quero que você entenda o que eu quero dizer. Muitas vezes, ao compartilhar o Evangelho, chegamos com uma lista de certo e errado frente a uma pessoa que não tem qualquer relacionamento com Deus. O fato de não haver relacionamento não quer dizer que aquela pessoa está livre de um julgamento de certo/errado por Deus, mas se ela não tem qualquer conhecimento ou entendimento sobre Deus, ela não saberá interpretar essas "regras". 

Quando compartilhamos o Evangelho devemos levar a palavra que traz salvação. Devemos falar de Jesus, de ressurreição, da forma como os nossos pecados foram pagos na cruz. Depois que o ouvinte aceitar isso e tomar o sacrifício de Cristo como verdade e norte da sua vida, aí sim Deus falará para ela, através de seu Espírito e da sua Palavra, o que considera como certo e errado.

E não é uma questão de marketing, uma estratégia para convencer a pessoa e depois mostrar o lado negativo: de maneira nenhuma! Falar para não cristãos as regras que Deus deu para nós, cristãos (suas ovelhas), é como jogar pérolas aos porcos. Para que alguém entenda o porquê de obedecer um Deus que, de certa forma, estabelece limites à nossa liberdade, há se existir uma crença de que deus é bom e quer a nossa felicidade. Há de existir confiança e fé. De modo contrário, acontecerá a reação que tanto observamos atualmente: julgamentos infundados, intolerância e má interpretação.

Não é necessário se omitir ou contradizer a Bíblia, mas é necessário mais do que jogar na cara de pessoas de outras crenças que não a nossa de que o nosso Deus estabelece certos mandamentos. Esses mandamentos foram determinados, em primeiro lugar, para nós, cristãos. O que nós fomos chamados a fazer foi espalhar a boa notícia de Cristo, e não recitar a lei. O que devemos fazer é mostrar que o amor de Cristo alcança aquela pessoa e não utilizar a Palavra como espada para ferir e humilhar. Precisamos entender melhor qual é a relação entre a graça e a lei para aplicarmos nas nossas vidas e só depois dizer algo ao próximo.

A cada vez que você sentir aquela vontade de apontar o dedo para um não cristão e dizer o quanto Deus abomina aquela prática, olhe para a sua vida e as coisas que você faz que Ele abomina. Lembre-se: Ele estabeleceu os mandamentos para nós, ovelhas. Tire o cisco do seu olho antes de tentar ajudar o seu irmão.

Graça e paz,
Carol.

Mais tarde, vocês entenderão (...)



     Não sei se você tem mais ou menos a minha idade, mas recentemente eu constatei um problema grave da nossa geração: somos (muito) imediatistas e impacientes. Nem adianta tentar negar. Queremos tudo na hora, respostas prontas, e de preferência o mais rápido possível. Apertamos o botão do elevador dez vezes, mesmo sabendo que aquilo não vai apressar em nada o trajeto. Ficamos na frente do microondas observando a contagem de segundos como se fosse uma eternidade e, caramba, minha fome não pode esperar mais trinta segundos, então vou parar no meio e comer morno mesmo! Queremos a correção daquela prova no dia seguinte, afinal de contas, esse é o trabalho do professor mesmo e eu preciso saber minha nota - mesmo que isso não mude o fato de que já fiz a prova, e a nota não vai mudar se eu souber antes. 

     Agora, e se eu te contasse que Deus não é nem um pouco imediatista, como nós? Bom, isso parece meio óbvio, considerando que os sete dias que Ele usou para fazer o mundo podem significar, na nossa cronologia, anos ou milhares de anos. E vale também lembrar que Jesus disse que já estava voltando, e isso faz mais ou menos dois mil anos e ninguém sabe que dia Ele vem. Pois é, Deus é bem paciente. E se você quiser entender alguma coisa sobre Ele, vai ter que aprender que a Palavra não nos é revelada como ou quando nós queremos, mas no tempo Dele.

     Comecei a pensar sobre isso quando estava lendo o evangelho de Lucas e me deparei com a seguinte passagem:
"Jesus chamou à parte os Doze e lhes disse: "Estamos subindo para Jerusalém, e tudo o que está escrito pelos profetas acerca do Filho do homem se cumprirá.
Ele será entregue aos gentios que zombarão dele, o insultarão, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão. No terceiro dia ele ressuscitará".
Os discípulos não entenderam nada dessas coisas. O significado dessas palavras lhes estava oculto, e eles não sabiam do que ele estava falando." 
Lucas 18: 31-34
     Fico imaginando a cena: Jesus falando um monte de palavras aleatórias feito um louco que conversava sozinho, porque ninguém estava entendendo nada. Era bem a cara dele, falar por parábolas e dizer palavras "nada a ver". O objetivo dele era confundir as pessoas? Talvez. Mas veja bem: eu e você sabemos o que aconteceu depois disso. Eu e você vivemos numa era em que a morte e ressurreição aconteceram. Mas, para eles, aquilo ainda não fazia o menor sentido, o significado ainda estava oculto.

       Eu faço faculdade de Direito e preciso confessar: de vez em quando, leio alguns artigos das leis e fico completamente perdida. Não sei por que a legislação brasileira é escrita numa linguagem tão difícil, parece não fazer sentido nenhum, mesmo se eu ler dez vezes. Mas quando eu assisto à aula sobre aquela matéria ou leio um livro que comente a lei, ou mesmo quando passo a conhecer outras leis que se relacionam diretamente com aquela, parece que a cortina cai. Num passe de mágica, o artigo começa a fazer todo o sentido. A questão é que existem o momento certo e as circunstâncias certas para que a gente entenda certas coisas, e antes de este momento estar pronto, não adianta sapatear. Precisamos entender que Deus nos revela as coisas quando e como Ele quer.
"Respondeu Jesus: "Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá"." João 13:7
     Tem coisas na Bíblia que eu não consigo entender. Eu tenho uma listinha mental de perguntas que quero fazer quando chegar no céu. Tem coisas, eu confesso, no próprio cristianismo, com as quais eu não concordo muito, e por isso não sou capaz de argumentar em defesa delas. Se você quer ser cristão, vai chegar um ponto da sua jornada em que você vai ter que abrir mão de entender e vai precisar simplesmente ter fé - acho que tudo na vida tem um pouco disso. Se alguém me pergunta algo sobre Deus e eu simplesmente não acho que exista uma resposta, eu não preciso inventar uma e distorcer o significado da Palavra. Talvez o próprio Deus esteja esperando o jeito certo de revelar o que Ele quis dizer, mesmo que seja só quando Jesus voltar. Afinal, não foi Ele que escolheu as coisas loucas para confundir os sábios? (I Coríntios 1:27)

     Pessoalmente, não acho que Deus vai me cobrar por não ter entendido o que Ele quis dizer com uma palavra ou outra da Bíblia; eu acredito de verdade que Ele só quer que eu seja sincera e humilde o suficiente para admitir que, não, eu não sei de tudo, e nem quero saber. Porque acho que tem coisas que eu não tenho que entender agora. Mas um dia, se Ele quiser, eu vou entender, e vai fazer todo o sentido de alguma forma. Como hoje eu entendo várias coisas que antes não entendia. Talvez um dia tudo isso faça mais sentido - e pode ser que nem seja nesta vida. Tudo bem, acho que eu posso esperar. Inclusive, acho que vou parar de apertar tantas vezes o botão do elevador, e de pressionar meus professores com as notas. Acho que eu posso até esperar o tempo do microondas terminar. Uma hora vai terminar... Não é mesmo? E a comida com certeza vai estar bem mais saborosa.

Na graça e na paz do Senhor Jesus, 
Vitória

Quando a missão é pesada



E disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo? Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais? De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer;Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim. E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal. E disse o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali estejam contigo. Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho. E dirás ao povo: Santificai-vos para amanhã, e comereis carne; porquanto chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: Quem nos dará carne a comer? Pois íamos bem no Egito; por isso o Senhor vos dará carne, e comereis; não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias; mas um mês inteiro, até vos sair pelas narinas, até que vos enfastieis dela; porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?
Números 11:11-20
Normalmente, ao receber um chamado, uma missão, nós recusamos. Quão raro é aquele servo que recebe a missão que sempre sonhou realizar. Pessoalmente, posso testemunhar que as missões, majoritariamente, que Deus nos reserva não nos fazem pular de alegria mas nos fazem olhar para o céu e exclamar "sério mesmo? Não tinha ninguém melhor para o cargo, não?".

Moisés fez isso. Lá o início, quando Deus o chamou para ser o líder que tiraria o povo judeu do cativeiro do Egito e o levaria para a Terra prometida, Moisés veio com várias justificativas. Ele não sabia falar, o povo não acreditaria nele nem o seguiria. No texto em destaque, Moisés está cansado. Ele aceitou a missão, mas o povo é teimoso e incrédulo e sempre se volta contra ele quando as coisas vão mal.

Perceba que a resposta de Deus divide-se em duas partes: uma reconhece que o que Moisés fez até então se deve ao Espírito de Deus dentro dele, e a outra reconhece que esse encargo precisa ser dividido. 

No livro de Levítico, também estudado nessa semana, há uma descrição exaustiva sobre como a Tenda deveria ser construída e sobre como os sacrifícios deveriam ser oferecidos. Os levitas eram os responsáveis por esse serviço. Você, quem sabe, seja um líder que, como Moisés, é cobrado com rigor. Talvez você não tenha apenas discípulos, mas tenha filhos e não saiba muito bem como fazer para criá-los bem. Talvez a sua vida seja nos campos missionários, servindo pessoas que exigem muito da sua vida espiritual. Eu não sei qual é a sua missão, mas sei que ela envolve servir. E, quando servimos, não recebemos nada em troca.

Sei o quanto isso pode ser extenuante. Parece que somos sugadas e a energia que tínhamos apenas desapareceu. Moisés estava assim. Cansado. Mas ele chamou a ajuda da pessoa certa. Deus relembrou, de maneira sutil, que ele não estava sozinho. Nós não estamos sozinhos. Seja qual for a missão que Deus lhe chamou, Ele não te abandonou. Ele pode estar quieto, assim como Ele estava antes de Moisés o clamar, mas Ele sempre está lá. Quando você sentir que suas energias foram embora, que você não tem mais nada a oferecer, volte-se a Deus. Tire um tempo do seu dia para orar, para ler a Palavra e meditar nela. Faça do seu tempo com Deus uma prioridade.

E, se após perceber que você não está sozinha na caminhada o fardo ainda estiver mais pesado do que você consegue carregar, delegue funções. Não importa se é dentro de casa, dentro da igreja ou em um projeto voluntário que você faz parte. Jesus tinha 12 apóstolos, Moisés nomeou 12 líderes - um para cada tribo -, e até Davi passou para Salomão, o seu filho, a tarefa de construir o Templo.

Tenha em mente que a obra que está sendo realizada não é em seu nome, mas no nome de Deus. É Dele toda a honra e toda a glória. Logo, dividir tarefas não deve ser apenas uma maneira de não sobrecarregar você, mas também uma maneira de controlar o ego envolvido na obra - que muitas vezes ultrapassa o interesse de ver o nome de Deus sendo exaltado.

Sendo assim, seja qual for a missão que Deus lhe deu, saiba que você pode contar com Ele e com outros irmãos para cumpri-la. Você não está sozinho!

Graça e paz,
Carol.

Nos alimentamos da nossa falta


Acabei de sair de uma sessão com a minha psicóloga e ela me disse a seguinte frase: “Bruna, nós nos alimentamos da nossa falta, isso é normal. Mas você está saciada, siga em frente!”. Essa frase causou uma revolução dentro de mim. Fiquei o resto do dia pensando sobre isso e apliquei essa frase para diversas áreas da minha vida e percebi o quão certa ela está!

Temos a tendência de achar que seremos felizes quando nós alcançamos algum objetivo. É muito comum ouvir assim: “quando eu formar, vou ser feliz!” ou “quando eu tiver uma casa, vou ser feliz!” e também “só vou ser feliz quando eu tiver um relacionamento desse ou daquele jeito!”.  E isso é legítimo, pois nós nos alimentamos daquilo que nos falta. É como um pote de mel, do qual você come um pouquinho a cada vez que sente necessidade... até saciar!

Fazemos isso com tudo: pouco a pouco nos saciamos do cargo que temos, do carro que temos, do estudo que temos, das viagens que fazemos, dos lugares que conhecemos. E, cada vez que ficamos saciados, nós queremos algo novo: um novo cargo, um novo carro, uma faculdade/pós-graduação/especialização, conhecer um novo lugar. Mas a principal área que aplicamos essa prática é nos nossos relacionamentos.

Seja amoroso, profissional, amizades ou qualquer outro tipo que exija certa convivência, os relacionamentos são como contratos e nós investimos neles porque queremos algo do outro, e o outro quer algo de nós. Sempre tem algo que te falta, mas que há na outra pessoa do relacionamento que faz com que esse contrato não seja quebrado. Logo, vamos nos alimentando disso, do que ela tem para nos dar. É fácil perceber isso dentro de um namoro, por exemplo, em que a companhia, atenção, carinho, toque físico, palavras de apoio são produtos desse contrato. São coisas que geralmente nos faltam e que nós exigimos do outro.

Entretanto, para tudo existe um limite e eis o ponto em que quero entrar: diversas vezes nós ficamos em relações que nos fornecem alguns produtos dos quais nos alimentamos, mas quando ficamos cheios, quando estamos saciados, acabamos interrompendo aquela convivência até que o “alimento” se torne necessário novamente. E, quando não temos um outro relacionamento que nos forneça esses produtos e algo mais, passamos nosso tempo nos desgastando, indo e voltando nesse tipo de coisa. Até chegarmos ao ponto de dar um basta em tudo isso.

Namoros sem perspectiva de futuro têm tendência a se encaixar nesse exemplo, pois ainda que o outro tenha alguns atributos que te fazem falta, você só vê necessidade deles até se saciar, e então o vínculo é quebrado outra vez. Insistir nesse tipo de relação é, no mínimo, perder a oportunidade de encontrar algo que realmente te preencha e que sempre te desperte fome, que te sacie, mas que não te leve ao limite da tolerância.

Assim como eu, sei que muita gente ja insistiu em tentar relações (de todos os tipos) que não te dão mais fome, que não são mais necessárias, que te levaram a um limite extremo do que é suportável. Talvez esse seja o momento de ver se está se alimentando disso por fome ou se já está saciado; se você realmente consegue suportar essa relação ou se está apenas tolerando essa situação por causa de algo que pensa ser necessário, mas não é.

Essa associação também pode ser feita em nossa relação com Deus. Sobre a maneira como nos deixamos envolver com as coisas humanas e o quanto nos envolvemos com o espiritual. Repensar nossas atitudes diante das coisas que são terrenas e as que são divinas, se elas realmente têm necessidade de acontecer. Mas esse é assun
to para outro texto.

Se hoje você está em relações como essas, se identificou com o sentimento de estar vivendo relações das quais já está mais que satisfeito, peça a Deus para te ajudar a identificar o que é suportável e o que é tolerável em sua vida. O que você está comendo por falta e o que está comendo por pura gula?

"...pois aprendi a estar satisfeito com o que tenho. Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação." Felipenses 4:11-13
Jesus te abençoe,

Bruna

Ninguém muda ninguém


     E aí, pessoal? O papo de hoje não é muito espiritual; só queria trazer pra vocês uma reflexão que tem me acompanhado nos últimos dias e que interfere muito nos relacionamentos que a gente constrói por aí. Quero conversar com vocês sobre esse jargão: ninguém muda ninguém. 

     Quantas vezes você já ouviu esta frase? Depois de muito relutar, resolvi admitir que isso é verdade mesmo, a gente gostando ou não. Eu acredito sim que pessoas podem nos influenciar, para o bem ou para o mal, e definitivamente acredito que o meio em que a gente vive é determinante pra nos tornarmos quem somos. Mas aquela história de que uma pessoa mudou totalmente a outra é bobagem, por um simples motivo: você só muda se você quiser.

     Ouso dizer que mesmo Deus, que é o único que tem poder de verdadeiramente transformar uma pessoa "da água para o vinho", não faz isso se ela mesma não quiser. A mudança parte de nós, de uma decisão particular, de uma transformação de mentalidade e de atitudes. Mas hoje eu não quero falar sobre mudança de mente e de comportamento, não quero falar pra você que quer/precisa mudar. Quero falar com você que quer mudar todo mundo. Posso apostar que você pensou "ah, esse não sou eu, não fico querendo mudar as pessoas". Mas não pare de ler esse texto, quero te mostrar algumas coisas. 

     A verdade é que todos nós queremos sim mudar algumas coisas nas pessoas ao nosso redor. É só parar pra pensar: dos seus amigos, parentes e etc, você conhece alguém que não tenha defeito nenhum? Tenho certeza de que você consegue pensar em pelo menos uma característica de cada uma dessas pessoas que te irrita um pouco, e a nossa tendência é pensar que eles precisam mudar isso, e ainda que nós temos capacidade de fazer com que eles mudem. Mas você já parou pra pensar que talvez essas características façam parte da personalidade deles? Isso significa que faz parte da pessoa que eles são. E às vezes nós somos tão egoístas que nos esquecemos de que os outros são pessoas, assim como nós. Pessoas de carne e osso. Pessoas que erram e acertam, pessoas com defeitos e qualidades. Pessoas que precisam ser amadas como todo mundo. Como você.

     E é aí que entra a nossa parte na história.

     Um tempo atrás eu assisti àquele filme "Como eu era antes de você", e uma cena ficou marcada na minha cabeça. Quem já assistiu ao filme ou leu o livro sabe que em determinado momento a personagem da Lou entra em um conflito consigo mesma porque ela não aceita, de jeito nenhum, uma decisão que o Will tomou. Acho que na situação dela nenhum de nós aceitaria ou entenderia. Mas aí em determinado momento, quando ela está muito triste com tudo isso, o pai dela diz: "você não pode mudar quem as pessoas são". E ela pergunta: "Então o que você faz?". A resposta é curta e simples: "Você as ama".

     Amor é isso. Aceitar quem as pessoas são e parar de querer adequá-las ao nosso molde de como-deve-ser. Parar de querer que as pessoas sejam objetos que sirvam às nossas vontades. Pode parecer cruel demais, mas se você parar pra pensar, vai ver que nós fazemos isso sim, porque pensamos que os outros existem só pra nos agradar e nos esquecemos que nós mesmos não somos o centro do universo. É por isso que tantas pessoas nunca estão satisfeitas com seus relacionamentos, elas acham que os outros nunca são bons o suficiente. Na maioria das vezes, nossa vontade de vencer a briga é tão grande que não nos colocamos no lugar do outro, e nos esquecemos de que ele também tem sentimentos.

     Uma ressalva: não estou querendo dizer que você tem que ser capacho de todo mundo e aceitar que as pessoas te maltratem e coisas do tipo. Se você tem amigos que têm problemas de caráter e você sabe que isso não vai mudar (a não ser que a pessoa decida), você tem o total direito de se afastar deles. Se você está em um relacionamento abusivo ou que não te faz bem, você não é obrigado a permanecer nisso porque "precisa aceitar a pessoa como ela é"... São coisas diferentes. Aliás, a frase "ninguém muda ninguém" também serve de alerta para você: por mais que você queira bancar o herói, você não vai mudar essa pessoa, então é melhor se afastar dela do que continuar se ferindo. Podemos falar mais sobre isso em outra oportunidade.

     Tirando esses casos, o que quero dizer é que todos nós precisamos fazer essa auto análise de vez em quando. Se você tem percebido que tem essa mania de cobrar demais das pessoas e querer que todo mundo mude, talvez esteja na hora de olhar pra si mesmo e admitir que é você que precisa mudar. Pare de querer que os outros sejam como você gostaria e passe a aceitá-los e amá-los como eles são.

     As pessoas são diferentes. Você não pode mudar quem elas são. Mas você pode amá-las incondicionalmente mesmo assim. Afinal, não é isso que Deus faz com a gente?

Na graça e na paz do Senhor Jesus,
Vitória.


Somos o povo separado




Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da páscoa: nenhum filho do estrangeiro comerá dela. Porém todo o servo comprado por dinheiro, depois que o houveres circuncidado, então comerá dela. O estrangeiro e o assalariado não comerão dela. Numa casa se comerá; não levarás daquela carne fora da casa, nem dela quebrareis osso. Toda a congregação de Israel o fará. Porém se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, seja-lhe circuncidado todo o homem, e então chegará a celebrá-la, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela. (Êxodo 12:43-48)
Para que as palavras em destaque façam sentido para nós, temos que entender um pouco da história desse povo e da intenção de Deus ao proferi-las. 

Deus decidiu que separaria um povo na Terra para chamar de seu. Ele escolheu Abraão e prometeu a ele que sua descendência seria extremamente numerosa. Desde aquele momento Deus já sabia que Jesus viria daquele povo.

Como forma de diferenciar seu povo, Deus impôs uma regra a Abraão: todo homem deveria ser circuncidado, seja escravo ou livre, novo ou velho. Era a marca que eles deveriam carregar no corpo para demonstrar que pertenciam a Deus. Aqui, em Êxodo, Deus começa a avançar em suas intenções com o seu povo e estabelece regras.

Mais adiante, no capítulo 20, serão proferidos os 10 mandamentos, de forma que agora Deus não quer apenas que haja uma marca física que demonstre quem é o seu povo, mas também uma marca moral. Dessa forma, podemos começar a entender o que esse versículo quer dizer.

A Páscoa foi instituída muito antes de Jesus nascer, mas sempre foi sobre ele. Nela havia a obrigatoriedade de comer pão sem fermento (o símbolo do pecado na Bíblia), porque Jesus não teve pecado. E, nesse texto, vemos que os estrangeiros não podem tomar parte da festa da Páscoa, a menos que sejam circuncidados. O que isso pode nos ensinar?

Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.Romanos 2:28,29

Estrangeiro seria aquele que não se identifica com o povo que Deus separou. Se no início esse povo era o povo judeu, após Cristo, somos nós, os cristãos*. Ora, se atualmente o que Deus procura são corações puros, e não apenas a circuncisão da carne, para deixar de ser estrangeiro é necessário que essa pessoa se torne parte do povo separado por Deus. Significa, no nosso contexto atual, a conversão.

A questão da páscoa aqui também se faz muito clara. Para tomar parte da festa da Páscoa, isto é, da festa que celebra a ressurreição de Jesus, é necessário que o estrangeiro se converta. Conversão significa mudança de caminho. Conversão implica em aceitar a Jesus como único salvador, entender que ele veio à terra para morrer pelos nossos pecados e agora é pela fé, e não pelo cumprimento de regras, que somos salvos. A partir dessa crença o estrangeiro se torna parte do povo separado por Deus. O povo que tem preceitos morais a seguir, não porque sua salvação depende disso - vez que já participam da vida eterna através de Cristo -, mas porque ser parte do povo de Deus significa ter hábitos que te identificam como aquele povo.

Caso você se perceba como um estrangeiro, ainda que tenha se identificado como parte do povo separado, tem como trocar essa cidadania! 

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. João 3:16-18

Graça e paz,
Carol

* É sempre bom lembrar que esse blog é cristão. Nós cremos que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação. Respeitamos todas as crenças, assim como nós desejamos que a nossa seja respeitada. Então, lembre-se: somos cristãs, falando para um público que presumimos também ser cristão (ou ao menos ter curiosidade sobre o ponto de vista cristão).

Ano novo, vida leve

     

        2017 enfim começou! Desde que a equipe do Maravilhosa Graça decidiu que voltaríamos com os posts a partir de Janeiro, tenho esperado com ansiedade. E agora que o mês finalmente começou, antes de mais nada quero te desejar um feliz ano novo - mesmo que hoje não seja o primeiro dia do ano, ainda estamos em tempo. Como você deve ter visto, estamos cheias de novidades e já tem devocional aqui no blog da série sobre a Bíblia que a Carol está fazendo todas as sextas-feiras (clicando aqui você pode ver o post que explica melhor essa nova programação). Mas não vamos deixar de fazer os textos com mensagens "aleatórias", aqueles devocionais comuns que já estamos acostumados a ver aqui. Então vamos começar!

        Quando eu estava pensando e orando acerca do meu primeiro devocional do ano, cheguei à ideia nada original de falar sobre o ano novo. Não poderia ser diferente. Centenas de textos estão circulando na internet e nas redes sociais com a frase (mais clichê, impossível): "ano novo, vida nova!". Mas calma, antes que você feche essa página pensando que vai ser só mais um texto igual a todos os outros, me dê uma chance de compartilhar com você um pouco sobre a minha perspectiva para 2017, e reflexões que têm me acompanhado nessa busca da tão falada "vida nova" que teoricamente sempre começa no dia 1° de Janeiro.

        Você já deve ter visto por aí várias ideias de "como-mudar-de-vida" no ano que se inicia. E convenhamos, essa história de mudar o ciclo no calendário nos ajuda mesmo a dar um empurrãozinho nas coisas que passamos muito tempo adiando. Sejam os planos de voltar a estudar, comprar um carro, ler a Bíblia inteira ou finalmente entrar na academia (quem nunca?). Mas dentre todas essas metas "comuns", queria compartilhar com vocês um plano um pouco mais amplo do que esses que a gente pontua na nossa lista de metas; uma coisa que eu decidi colocar em prática em 2017. Eis a minha principal meta pessoal para o ano novo: ser uma pessoa mais leve.

        Digo meta pessoal porque é importante a gente parar de pensar só nas coisas externas tipo "o que eu quero ter neste ano" e parar pra pensar em como podemos melhorar pessoalmente. Se faça a seguinte pergunta: "o que eu quero ser neste ano?". Bom, eu quero ser mais leve.

        Não, não estou falando de balança. Há algum tempo Deus tem me incomodado com o quanto a gente (leia-se "eu", mas acho que é algo que todo mundo faz) gosta de complicar as coisas. É isso mesmo que você leu. Boa parte das vezes nós colocamos um peso enorme sobre situações que deveriam ser, e de fato são, muito simples, em todas as áreas das nossas vidas.

        Você já teve a sensação de estar sobrecarregado? Eu já. Mas é engraçado porque, quando a gente se sente sobrecarregado "por fora", por assim dizer, o problema geralmente é fácil de resolver. Se você está levantando um peso na academia e aquilo começa a machucar, a solução é simples: diminua a carga. Se você está muito atarefado no trabalho, talvez a solução seja organizar melhor seu tempo e se permitir descansar, quem sabe tirar um final de semana e fazer uma viagem que te permita relaxar. Mas você já se sentiu sobrecarregado por dentro? Quando os seus pensamentos e sentimentos começam a dar a sensação de peso e você fica emocionalmente afetado? Posso te garantir que é bem pior, porque não dá pra descansar da nossa própria mente. Mas tenho uma coisa pra te contar: na maioria das vezes, somos nós mesmos que exageramos na carga, e nos obrigamos a suportar um peso desnecessário. 

        No instante em que o relógio bateu meia noite do dia 1° de Janeiro, eu estava orando pelas mesmas coisas de sempre. Estava agradecendo por 2016 e pedindo algumas coisas para o novo ano, até que me deu um estalo: "espera aí, eu até sei várias coisas que eu quero. Mas o que Deus quer que eu queira?". Aí eu resolvi perguntar. E eu senti Deus me dizendo, entre outras coisas: "quero que você queira deixar alguns pesos para trás". Pode parecer confuso, mas na hora eu entendi. Ele já estava falando disso comigo há algum tempo.

        O fato é que às vezes a gente exagera, faz tempestade em copo d'água, e atribui a alguns problemas muito mais peso do que eles deveriam ter. É o famoso "mimimi", que vamos admitir: a gente faz sim! E às vezes nem é pra chamar atenção; a gente mente pra nós mesmos, se faz de vítima e acaba ficando sobrecarregado e sofrendo com isso, enquanto poderíamos estar bem, e sendo gratos pelas coisas boas. Aliás, ser uma pessoa leve tem muito a ver com ser uma pessoa grata. Mas gratidão é um papo pra outra hora.

         Sabe aquelas pessoas que estão sempre insatisfeitas com tudo? Sempre reclamando e colocando defeito, ou se queixando de não receberem atenção? A sensação que temos é que essas pessoas trazem um peso pro ambiente. Mas quantas vezes a gente também faz isso? Quando cobiçamos o que é do outro, quando puxamos brigas desnecessárias, ou quando por carência queremos ser o centro das atenções. Um parente seu conquista algo e você pensa "ah, Deus nem liga pra mim, só abençoa os outros". Uma amiga sua sai com outra amiga e você pensa "por que elas não me chamaram? Ninguém liga pra mim." Alguém te pede perdão por uma ofensa boba e você logo pensa "não estou pronto para perdoar", e fica remoendo a dor e o orgulho até Deus sabe quando. A gente coloca um peso enorme sobre coisas que poderiam ser leves, simples, e às vezes até boas! E você não para pra calcular quanto tempo perdemos com isso.

        Ter uma vida mais leve tem a ver com se livrar das mentiras que você conta pra si mesmo quando você deixa algo te machucar mais do que deveria. Talvez tenha a ver com se livrar de um relacionamento que só traz peso e te coloca pra baixo. Talvez tenha a ver com parar de se importar tanto com as críticas destrutivas e o que as pessoas pensam de você. Talvez tenha a ver com simplesmente se aceitar e se amar como você é. Talvez tenha a ver com finalmente perdoar aquela pessoa por quem você alimenta rancor há anos. E tudo isso, por mais que não pareça uma coisa muito espiritual, tem tudo a ver com Deus. Porque quando a gente decide ser mais leve, fica muito mais fácil entender aonde Ele quer nos levar. Se você estiver amarrado a um monte de pesos que te afundam, vai ser bem difícil andar sobre as águas.

        Meu desejo pra você neste novo ano é que você consiga sim cumprir as suas metas. Mas quero te desejar que, neste novo ano, você gaste mais tempo sendo grato pelas bênçãos e menos tempo se torturando com os problemas. Que você pare de se cobrar tanto e de se importar com o que os outros pensam, e passe a se importar mais com o que Deus pensa. Que você entenda que não pode resolver todos os problemas do mundo e que, às vezes, tudo o que nós podemos fazer é entregar nas mãos do Pai.

        Que em 2017, sua vida seja mais leve!
"Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". Mateus 11:29-30

Na graça e na paz do Senhor Jesus,

Vitória



Novo nome, nova aliança




Nessa primeira semana de Janeiro nos dedicamos ao estudo de Gênesis. Lá no nosso Instagram falamos um pouco sobre Abraão e Sara, Isaque, Jacó e José. Todos eles têm histórias maravilhosas, e se mostram humanos falhos, assim como cada um de nós.

Abraão, antes, era Abrão. Sara, antes, era Sarai. Jacó, após a luta em Peniel, passa a ser chamado de Israel. José, apesar de não ter seu nome modificado, passa de "José, o sonhador" para "José, o governador do Egito". E é sobre essa mudança de nome, tão recorrente no livro de Gênesis, que quero falar hoje.

Antes de qualquer coisa, é bom lembrar o que o nome "Gênesis" significa: começo. É o começo da Bíblia, da história de Deus com o seu povo e, gosto eu de pensar, que é como o início da nossa caminhada cristã. Isso porque, em todos os casos que acabei de mencionar, algo grande acontecia na vida daquela pessoa e pronto, Deus mudava o tratamento. 

Assim que Deus entra na vida desses servos de maneira determinante, o nome é modificado. Quando Ele determina o tempo para o cumprimento da Sua promessa na vida de Abraão, ele e sua mulher ganham novos nomes. Assim que Jacó luta com o próprio Deus, em uma reviravolta de sua vida e caráter, Ele modifica seu nome de "o enganador"* para "Deus luta". Assim que José sai da sua terra e passa a viver aquilo que Deus tinha para a sua vida, sua reputação muda.

O que tudo isso deveria nos ensinar?

Deus deve mudar o nosso nome. Perceba que todas essas pessoas passaram por grandes transformações em suas vidas, transformações em suas histórias com Deus. A partir daquele momento, era necessário que o nome delas, que a fama delas fosse modificada. E é exatamente isso que deve acontecer conosco quando nascemos de novo.

Ter uma vida cristã significa que, em algum ponto, devemos nos dar conta da situação em que nos encontramos e que a nossa vida precisa mudar radicalmente, ao ponto de que o nome e reputação que tínhamos precisam ser modificados. Ninguém mais pode me conhecer como a Carol de antes, mas a percepção de como sou, aos olhos de todos, deve ser alterada.

É óbvio que essa mudança não ocorre do dia para a noite. O processo de nos tornarmos mais parecidos com Cristo é algo que leva a vida toda. No entanto, no decorrer do tempo, a forma como as pessoas nos chamam deve mudar. Talvez você precisa abandonar o nome "impaciente" e passar a ser chamado de "amável". "Covarde" para "corajoso", "avarento" para "generoso" e "cético" para "cheio de fé".

Que a cada vez que lermos essas passagens nós possamos nos lembrar que elas significam muito mais do que um novo nome. Quando Deus muda o nome de cada um desses homens, Ele certifica que os escolheram para viver a vida que vale a pena ser vivida, de acordo com o propósito que há para cada um deles. 

Para o propósito que há para cada um de nós.

Graça e paz,
Carol.



* o nome "Jacó", em si, significa "calcanhar" (ele ganhou esse nome porque nasceu já puxando o calcanhar de Esaú, seu irmão gêmeo mais velho). No entanto, o nome Jacó, no hebraico, também soa parecido com a palavra que quer dizer "enganar". Ao longo da história de Jacó, podemos perceber que esse foi um problema com o qual ele precisou lidar (confira Gn 25:27 - 34 e Gn 27).

Voltamos, mais uma vez


Depois de mais de um ano longe do Maravilhosa Graça, me peguei querendo escrever de novo. Dizem que nosso chamado é algo de que não devemos fugir (Jonas que o diga!), então, como boa filha, à casa torno. 

Como forma de regularizar a frequência de postagens no blog e de estudar a Bíblia mais a fundo, tenho uma proposta para você que me lê: acompanhar o blog durante o ano de 2017 e seguir conosco a sequência de leitura que vamos adotar.


Como essa arte linda nos mostra, toda Sexta-Feira do primeiro trimestre de 2017 teremos um devocional mais detalhado sobre os livros que leremos durante a semana. Entretanto, para abordarmos melhor temas de cada capítulo, serão postados todos os dias no Instagram do Maravilhosa Graça pequenos devocionais. Entretanto, vale à pena vir aqui no blog e ler os escritos de Sexta (que serão mais bem desenvolvidos do que os textos disponíveis no Instagram).

Além desse projeto de ler a Bíblia inteira durante o ano de 2017, teremos outras postagens no blog, de temas variados. Entretanto, escolhemos transferir a maior parte da produção do conteúdo para o Instagram (porque aí fica beem mais fácil de você nos ler, não é mesmo?).

Então assim começamos o ano de 2017: com o projeto de ler e estudar a Bíblia inteira. Você pode nos acompanhar com os devocionais diários no Instagram e através dos posts semanais aqui no blog.

Mal posso esperar para compartilhar com vocês o que temos escrito com tanta dedicação!

Graça e paz,
Carol.



Um papo sobre empatia


Há algumas semanas, uma garota foi estuprada. Há alguns dias, aconteceu um assassinato em massa nos Estados Unidos. Há alguns dias, a garota da escola sofreu bullying. Há algum tempo, um rapaz morreu porque se sentiu sufocado demais com a vida. Dois dias atrás, uma menina foi mãe aos 13. Hoje um rapaz morreu de AIDS, um negro sofreu preconceito por ter orgulho de sua cor, um homossexual foi espancado, uma menina gordinha suicidou-se porque não se sentia bem com o mundo, um amigo de alguém bebeu até morrer e morreu, um cristão morreu por intolerância, um ateu morreu por intolerância, um judeu morreu por intolerância, um budista morreu por intolerância. O que tem em comum essas pessoas? O que faz com que elas estejam no mesmo parágrafo de um texto? Eu vou te contar.

Ultimamente o mundo da internet e da televisão tem sido bombardeado por mensagens de repúdio aos criminosos que cometeram estupros – e são diversos casos – como também ao assassino da boate em Orlando. Mas eles não são o foco desse texto. Vou ser um pouco mais direta: o motivo de eu escrever esse texto é a quantidade de mensagens de religiosos contra as vítimas desses crimes e/ou doenças que eu descrevi acima. Muitas pessoas dizendo coisas do tipo “se fosse crente não acontecia” ou “se fosse uma moça decente não teria acontecido” e a pior delas “aquele tanto e gay tinha que morrer mesmo” e todas as mensagens que levam esse mesmo sentido. Se você que está lendo agora se considera um cristão e por algum momento você teve um pensamento minimamente parecido com os expressados acima, por favor, reveja tudo o que entende por espiritualidade e nasça de novo.

Cristianismo, como já está mais do que claro, é configurado por um grupo de pessoas que seguem as ideias e ensinamentos de Jesus Cristo e o consideram o Messias. Assim sendo, todos os cristãos acompanham a Bíblia, livro escrito por pessoas inspiradas pelo Espírito Santo, e os evangelhos, que relatam mais detidamente a trajetória e feitos de Jesus. Esse cara, que muitos dizem seguir, não pode ser representado por pessoas que falam como esses religiosos que estão espalhados na internet, mesmo porque suas atitudes eram totalmente contrárias à essa incitação ao ódio e desprezo por outras pessoas. Em outras palavras, Jesus era delicado no cuidar das pessoas e é inconcebível que alguém que se diz cristão possa dizer ou pensar que é justo que as pessoas morram ou sofram crimes como esses que eu citei.

Mas no primeiro parágrafo eu também falei sobre doenças e problemas que pessoas sofrem diariamente e que para nós parece normal, mas que para quem sofre é um problema gigantesco. O preconceito, o pré-julgamento, o desprezo, críticas e intolerância religiosa causam uma série de danos na vida das pessoas e na sociedade como um grupo. E o que mais me espanta é que cristãos, c-r-i-s-t-ã-o-s, possam usar dessas ferramentas sem medidas e ainda dizer que fazem isso pelo nome de Jesus. Assim não tem como defender! Jesus tinha uma coisas que muitos de nós estamos precisando nesses dias: empatia. Jesus se colocava no lugar do outro, Jesus cuidava e amava sem medidas. Antes de ter a ousadia de pensar que o problema é do outro e dizer bobagens por aí, por favor repensem o conceito de cristianismo existente em vocês e tentem ver se é compatível com aquilo que Jesus fazia. Cuidar dos doentes, cuidar dos pecadores, cuidar de seus amigos. Orar pelas pessoas, orar pela humanidade. Sofrer pelo outro. Essas são coisas que Jesus fazia, e não as que as pessoas fazem em nome dele.

O que eu quero é que em vez de julgar e dizer que se a gordinha do colégio tivesse feito um regime, não teria suicidado; ou que o rapaz com AIDS era gay e que mereceu ter morrido; ou que negro tem que sofrer; ou que o amigo bêbado que morreu era burro, tentem se colocar no lugar deles e se questionem se era realmente isso que Jesus teria feito no lugar de vocês. OREM, mas orem muito por todas as pessoas e não tentem achar que os julgamentos de vocês vai mudar o mundo, pelo contrário, orem por tudo e por todos e deixe que Deus decida o que é ou não justo, porque isso cabe a ele. Se compadeçam da dor dos outros, entendam os motivos, entendam o sofrimento alheio. Por favor, parem de dizer que são cristãos e comecem a agir como verdadeiros cristãos e orem para que famílias sejam consoladas, para que a paz atue em nosso mundo. Para que as pessoas recuperem a humanidade, pelas almas das pessoas que estão sofrendo continuamente com todos esses problemas. Esse é um apelo que eu faço a vocês: deixem de lado o seu orgulho e passem a exercer a bondade e a empatia. Se tornem verdadeiros cristãos.

"Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado para vocês desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram'.
"Então os justos lhe responderão: 'Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?'
"O Rei responderá: 'Digo a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram'.

Marcos 25:34-40

Graça e paz,

Bruna

A glória não é nossa



Vou contar um fato sobre mim: eu definitivamente não sei reagir a elogios. Embora eu, assim como todo mundo, goste de ser elogiada por algo que eu tenha feito ou mesmo alguma característica minha, eu fico muito sem graça quando alguém demonstra qualquer tipo de admiração por mim. Já aconteceu com você? Por exemplo, no seu aniversário, quando alguém começa a dizer várias coisas positivas a seu respeito e você fica muito lisonjeado, mas super sem graça, e não sabe o que fazer além de agradecer... Os tímidos vão me entender.

Estava refletindo sobre isso e me lembrei de um episódio que aconteceu comigo na semana passada. Eu participo do ministério de louvor da minha igreja como vocal. Já aconteceu de alguém falar comigo no final do culto e elogiar meu desempenho em uma ou outra música, o que é bem legal, porque quem não gosta de expressar um talento ou dom de Deus e ser reconhecido por isso? Sempre gostamos de ser reconhecidos nas atividades que exercemos. Mas espera, eu não canto pra ser vista (ou melhor, ouvida) pelas pessoas, muito menos elogiada. Ministério é pra Deus, certo? Então o que eu faço quando alguém me elogia por isso? Meu Deus, o que eu respondo? Quando alguém elogia meu ministério, eu dou um sorrisinho, mas morro de vergonha por dentro e fico tímida. "Obrigada" (?) O que eu deveria dizer? Não é algo do que eu deva me gabar, certo? Afinal, altar não é palco...

E aí estava eu na igreja semana passada, quando passei por uma moça do ministério de dança. Naquele culto, eu a tinha visto dançar e admirei muito seus movimentos; acho ela extremamente graciosa e admiro a forma como ela dança com o coração, realmente em adoração a Deus. Quando passei por ela, comentei "você dançou tão bem hoje! Estava linda!". Ai. Meu. Deus. Nem percebi, mas acabei de colocar outra pessoa numa situação que me deixa tímida. Quando pensei que ela ficaria sem graça, e responderia aquele "obrigada" tímido que eu sempre respondo, ela sorri e me vem com um doce "glória a Deus!"...

Oi? Glória a Deus? Ela não leu o roteiro, essa é a hora que a gente agradece e fica sem graça... Ela saiu e eu fiquei com aquela cara de quem acabou de levar um tapa. Quase pude ouvir Deus dando uma risadinha e dizendo "entendeu, boba?". Entendi, Deus, valeu. Eu entendi mesmo. Ela não ficou sem graça por uma razão muito simples: o dom dela pertence ao Senhor, e isso significa que o meu elogio não era para a pessoa dela, mas sim para a glória de Deus. Eu, que proferi o elogio, não percebi isso, mas ela percebeu, e isso para ela era perfeitamente natural. Jesus, que lição! E eu, esses anos todos, querendo me esconder quando alguém dizia que minha voz encaixou bem em um louvor... Sendo que o louvor era para a glória de Deus! Eu sempre me policiei para não me deixar esquecer que a glória pertence a Ele em tudo, mas achava que os elogios eram para mim e ficava sem graça. Que boba. Às vezes, até mesmo quem elogia pensa que está falando sobre a pessoa... Mas não deveria ser! É dom de Deus.


Entende aonde eu quero chegar com a história toda? Acho que, depois daquele domingo, nunca mais vou ficar sem graça se alguém admirar algo que eu tenha feito para o Reino. Afinal de contas, não é pela nossa força. Quando um pregador traz uma palavra que toca os corações, ele não faz isso pelo seu intelecto incrível ou sua maneira cativante de falar e convencer. Não! É dom de Deus! O que significa que nem mesmo a palavra saiu "da cabeça dele", mas veio do Espírito Santo. O Senhor dá a cada um os dons que podemos exercer de acordo com o propósito Dele, no que cada um de nós poderá ser útil para agregar ao Reino e contribuir para a Sua obra. Mas não para nos fazer grandes e conhecidos, e sim para a glória Dele. E isso é maravilhoso!

Então, se Deus me permitiu e me chamou para cantar e ministrar à igreja sobre adoração, que isso seja para glorificá-lo. Se Ele determinou que aquela moça seria uma bailarina excelente e a dança dela tocaria os corações para que o Espírito Santo os ministrasse, que isso seja para glorificá-lo. Se Deus te chamou para as missões, ou para falar Dele na sua profissão, ou para cuidar dos doentes e necessitados, ou para ser um intercessor e mudar o mundo de joelhos no seu quarto sem ninguém ver, ou para expressar o amor de Dele cuidando de casa e da família... Não importa! O que quer que você faça, lembre-se: não se trata de você, mas Daquele que está em você. O que quer que você faça, faça para a glória Dele.
"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." I Coríntios 10:31 


Na graça e na paz do Senhor Jesus,
Vitória

Uma ferida que não para de doer



     E aí, leitor, tudo certo? Hoje eu quero falar sobre um assunto bem delicado na vida de todos nós. Minha pergunta para você hoje, depois de muito tempo sem escrever aqui, vai além de "você vai bem?". Hoje eu quero saber outra coisa, algo mais profundo: sua alma vai bem?
"Que todo o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam preservados irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." 
I Tessalonicenses 5:23
     Cá entre nós, dá até vontade de rir, com um certo constrangimento, ao ter que pensar "olha, apóstolo Paulo, muito legal da sua parte, mas não vai dar não. Jesus ainda não voltou e eu já passei por cada perrengue, que você não acreditaria. Meu corpo tem um monte de cicatrizes, meu espírito vive cambaleando e minha alma... Ah, minha alma é cheia de feridas". É justamente disso que estou falando aqui: uma alma, um coração cheio de feridas

     Machucados são diferentes de feridas. Se um lutador se machuca durante uma aula de luta, ele toma um momento para se recuperar. Espera um pouco, balança a cabeça e volta ao ringue. Mas se ele se fere, vai precisar ir para casa, talvez para o hospital, fazer exames e usar curativos. A diferença entre um machucado e uma ferida é que ambos param de doer uma hora, mas a ferida, além de demorar mais para fechar, pode deixar cicatrizes. 

     Querendo ou não, nós somos produtos do nosso passado, das alegrias e decepções que tivemos ao longo da vida. Não importa se você tem treze anos ou oitenta e três, você tem sua própria carga de memórias e cicatrizes, e eu tenho as minhas. Uma vez, assisti a um filme chamado "Para sempre", no qual a moça sofre um acidente e perde a memória, e o seu marido luta para fazer com que ela se lembre da história que tiveram juntos e do amor que os uniu. Sei que parece dramático demais, e um acidente assim seria obviamente uma tragédia, mas você já quis perder a memória? Pelo menos em relação a algo que aconteceu? Eu já. Já quis que fosse mais fácil, passar pelos problemas, vencê-los e depois simplesmente abandoná-los, esquecê-los como se nunca tivessem acontecido, continuar levando a vida normalmente. Mas infelizmente (ou felizmente), não dá. Nós passamos pelas adversidades, mas mesmo que consigamos vencer, elas ficam gravadas em nós, e algumas deixam marcas que não vão mais sair. É como uma camiseta branca que foi manchada.

     A questão aqui não é se você vai deixar de se lembrar do que causou as suas cicatrizes, mas sim quando é que a ferida vai se fechar, e você vai conseguir se lembrar sem que aquilo cause dor. Só que, ao contrário do que você já deve ter ouvido por aí, o tempo não cura nada, viu? Não adianta deixar a ferida de lado e fingir que ela não está ali, esperando que, uma hora, ela feche milagrosamente sem você fazer nada. Não existe fórmula mágica para superar as dores da alma; depende de você também. Eu sei que não é muito fácil admitir isso. Mas tem, sim, algo que você pode fazer, em vez de passar o resto da vida com ressentimentos, culpando as pessoas e as circunstâncias pelas suas marcas.

     Perdão e confiança são as chaves para deixar o passado onde ele deve ficar. Se você precisa abandonar uma dor que já está durando tempo demais, você vai precisar perdoar pessoas e confiar em Deus. Pode parecer simples, mas perdoar e confiar são tarefas extremamente desafiadoras. Talvez você precise perdoar alguém que te fez sofrer muito. Talvez precise perdoar a si mesmo - e isso é tão complicado que renderia outro texto. Depois disso, é preciso parar de olhar para trás, e passar a olhar para frente confiando o amanhã às mãos de Deus. Esse processo pode ser lento e muito difícil, mas é necessário. E acredite, é uma questão de decisão.

     Que tal começar a praticar isso? É claro que poderíamos falar muito mais sobre esse assunto, mas acredito que agora você já sabe quais são os primeiros passos. Talvez você pense que já fez o bastante, mas se a cicatriz te incomoda, talvez seja hora de fazer uma "faxina" nessa alma e buscar uma cura de verdade em Deus. Não há nada que eu possa te ensinar aqui e, como eu disse, não é fácil deixar que as feridas fechem enquanto parece que elas ardem cada vez mais. Mas existe uma pessoa que pode te ensinar a perdoar e confiar até que seu coração esteja completamente curado. Já sabe de quem estou falando, né? Peça uns conselhos pra Ele. E lembre-se: nós somos produtos do nosso passado, mas não precisamos ser prisioneiros dele.

"Mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus." 
Felipenses 3:13-14
Na graça e na paz do Senhor Jesus,
Vitória



E “enquanto eu inventar Deus, Ele não existe”.

Cheguei da faculdade, cansada como sempre, tomei um banho, coloquei uma camiseta e fui estudar um pouco mais. Os livros e papéis na minha frente falavam de literatura, linguagem, língua e texto, e de alguma forma eu comecei a pensar em você no meio daquilo tudo. Clarice disse que não amava verdadeiramente porque achava que carinho era amar; Drummond, que as plantas perderam sua maneira de conversar umas com as outras, perderam a sua linguagem por quererem passar desapercebidas. Fish disse que vemos o que queremos ver e que o poema que lemos não existe por si só na significação, mas que tudo depende da forma como interpretamos. Barthes foi além, e disse que para a escrita nascer é necessário que o autor morra. E eu me coloquei a pensar no que sou diante de você. Sou como uma filha mimada que não sabe o seu lugar? Sou uma planta que não sabe mais falar com o seu jardineiro? Sou como o autor que, por medo de matar a si mesmo, nunca deixa a escrita nascer dele? Sou criação da minha própria interpretação? O que sou? Tenho medo de ser aquilo que sempre julguei, de ser hipócrita, de ser apenas uma invenção. Tenho medo de não ser o resultado que você esperava e ter interpretado as coisas que você me disse da maneira errada. Tenho medo de me perder de você, não saber te ouvir mais ou tentar tanto que não me perceba que fique indiferente à minha presença. Porque eu sei que não quero ser uma filha mimada. Eu sei que não quero ser possuidora da verdade , não quero ser uma autora-Deus. Não quero ser uma escrita inexistente, não. Quero que a escrita nasça da minha morte, que o Jardim floresça da nossa comunicação; quero que você seja o autor-Deus da minha história. Talvez no fim eu me descubra. Talvez no fim eu me encontre na sua obra, ache o meu papel, perceba o meu lugar nisso tudo, exatamente como a garota que “perdoou Deus”. Talvez no fim eu ame toda essa somatória de coisas que não entendo. Talvez no fim eu não ame nada porque não sei o amor. Talvez no fim você não exista porque eu insisto em te inventar.

B.